Sexta-feira, 23 de Abril de 2021

O Bocão
Sexta-feira, 05 de Março de 2021, 07h:02

EMPRESA DE SUVACO

Suspeitas de corrupção envolvendo ex-secretário e ex-procurador de Cuiabá atingem Emanuel Pinheiro

Divulgação

Luiz Antônio Possas de Carvalho, que foi denunciado pelo MPE no Caso Morge Pharma, também contratou empresa fantasma de Gestão de Documentos por R$4,335 milhões quando era procurador do município. Pretensão do prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) em ser candidato ao Governo do Estado em 2022 começa a afundar na lama da corrupção em seu entorno

Da Redação

O ex-procurador geral e ex-secretário de saúde de Cuiabá, Luiz Antônio Possas de Carvalho está no epicentro de um grande escândalo envolvendo supostos desvios milionários na prefeitura cuiabana. Homem de extrema confiança do prefeito Emanuel Pinheiro, Luiz Possas se transformou em uma bomba de lama que poderá detonar os planos de candidatura do seu amigo e agora ex-chefe ao Governo do Estado em 2022.

kevey costaa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Seguindo pistas oferecidas por uma denúncia anônima, a reportagem do Brasil Notícia descobriu que, além dos desvios apontados no caso Norge Pharma Comércio de Medicamentos e Materiais e Soluções em Saúde Ltda, denunciado pelo Ministério Público do Estado (MPE) no início de fevereiro, Possas de Carvalho também foi responsável por um contrato que desfalcou os cofres municipais cuiabanos em mais de R$4,335 milhões em 2018. Assim como a Norge Pharma, a empresa contratada, a Virtual Docs Gestão Documental Ltda, foi favorecida por manobras com evidentes indícios de ilicitude.

Conforme apurou a reportagem do BN, a empresa Virtual Docs parece existir apenas no papel – uma empresa de “suvaco”, como são chamadas aquelas firmas que não tem sede, não tem empregados, não tem presença física em lugar algum, mas que existem no papel que seus prepostos carregam sob o braço em um pastinha qualquer. Também descobriu-se que o seu suposto proprietário apresenta todos os indícios de ser um mero “laranja”.

virtual docs

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A história da Virtual Docs é das mais nebulosas. A empresa teria sido registrada na Junta Comercial de Roraima por despacho em 09/02/2018 e estaria instalada na Avenida Princesa Isabel, 2100, Bairro Caimbé, em Boa Vista, capital de Roraima. A reportagem constatou, no entanto, que o nº 2100 da Avenida Princesa Isabel, em Boa Vista-RR é um vasto terreno baldio conforme comprova a foto do Google Maps em registro de outubro de 2019 mostrada na galeria desta matéria.

Na internet, a Virtual Docs mantem um site simplório, de visual amador e baixíssima funcionalidade como se pode constatar pela imagem da “capa” do mesmo que ilustra esta matéria e pelo endereço digital https://www.virtualdocs.info que estava no ar no dia 02/03. O site em nada condiz com o perfil de uma empresa de tecnologia que celebra contratos milionários com órgãos públicos de vários estados.

Para piorar tudo, o tal site da Virtual Docs, é tão virtual que não oferece sequer informações básicas, como endereço e telefone, direção de e-mail, chats e nem apresenta o portefólio de seus serviços e clientes como seria de se esperar e como o fazem as empresas sérias de todos os segmentos. Enfim, não tem nada no site que possa dar credibilidade e prova da real existência da empresa, de sua capacidade técnica operacional, de seus funcionários e diretores.

DATA GED

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Outra descoberta que fez aumentar as suspeitas sobre a Virtual Docs e suas finalidades foi que, por volta do mês de setembro de 2017, a empresa havia participado do certame e vencido o pregão 009/2017 do Instituto de Amparo a Ciência e Tecnologia e Inovação do Estado de Roraima (IACTI). O resultado do tal pregão, no valor de R$4,335 milhões, foi homologado em 09 de novembro daquele ano (Vide Print). Uma pergunta ficou no ar sem resposta: como uma empresa constituída em 2018 venceu um pregão realizado em 2017? Não foi possível ainda para a reportagem apurar a inteira cadeia de atuação da misteriosa empresa.

Como coincidências não existem no mundo dos negócios, e menos ainda no submundo dos esquemas de rapina do erário como todos nós sabemos, mas sim que existem oportunidades aproveitadas ou não pelos corruptos infiltrados no poder público, o contrato firmado entre a PGM de Cuiabá com a fantasmagórica empresa Virtual Docs ocorreu sem qualquer licitação.

O contrato foi feito na base da adesão à Ata de Registro de Preços nº009/2017 referente ao pregão realizado pelo IACTI de Roraima. E pasme-se: o valor do contrato foi exatamente o mesmo do pregão roraimense: exatos R$4,335 milhões. Uma evidente e simplória manobra que, por si só, bastaria para lançar dúvidas sobre a lisura da decisão tomada pelo então senhor procurador Luiz Antônio Possas de Carvalho.

Pinta de “Laranja”

REDES

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Na apuração conduzida até aqui pela reportagem do BN, também descobriu-se que o jovem “empresário” Kelvey Costa Andrade, de apenas 29 anos, diz ser de Cuiabá, mas reside em Fortaleza –CE. Aparenta ser um típico jovem de classe média, alegre, despojado, aficcionado e praticante de Futbol Americano e de Ciclismo. Nas fotos, está sempre vestido de modo informal ou como desportista. A única vez em que Kelvey Costa se mostra minimamente parecido com um executivo é em uma foto postada no seu perfil do facebook em que ele posa ao lado de um carro de luxo esportivo da marca Hyundai, e na qual aparece vestido com roupas sociais.

Não há imagens suas em reuniões de trabalho, em escritório ou ambiente profissional. Em seus dois perfis no Facebok, ele diz trabalhar na empresa DataGed, localizada no número 184 da rua Monsenhor Salazar, no bairro São João do Tauape, em Forteleza (imagem na galeria). A Dataged seria uma "empresa de Gerenciamento Eletrônico de rotinas e processos nas nuvens e online - GED / ECM", conforme breve enunciado constante do registro de seu endereço no Google Maps. Na imagem, pode-se ver que a Dataged tem sede em uma sala minúscula, anexa à uma garagem.

O Outro lado

Todas as tentativas de contato com os sócios da Virtual Docs, Edson Costa e Silva e Kelvey Costa Andrade resultaram sem respostas. Os números de telefones obtidos pela reportagem não atenderam. O senhor Luiz Antonio Possas de Carvalho também não retornou as tentativas de contato e entrevista da reportagem.

Informamos que o espaço para que os citados se manifestem e exponham as suas versões para os fatos narrados nesta reportagem seguirá permanentemente abertos e a matéria poderá ser atualizada com suas explicações a qualquer tempo.

Também seguiremos investigando e aprofundaremos esta pauta.

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