Sexta-feira, 23 de Abril de 2021

O Bocão
Sexta-feira, 05 de Março de 2021, 07h:05

XEQUE-MATE NO GOVERNADOR MAURO MENDES

No mês de setembro de 1999 geólogo registrou em cartório assinatura autêntica no laudo de valoração econômica da Minérios Salomão

Divulgação

MAURO E VIRGINIA

Estudo de viabilidade da reserva aurífera à época estimada em US$ 372,5 milhões reafirma conclusões do laudo elaborado em parceria com falecido engenheiro de minas cuja assinatura foi declarada ‘inautêntica’ no exame grafotécnico grosseiramente forjado por perito beneficiado por financiamento milionário com recursos do Governo Federal para salvar a pele do governador em ação de improbidade na Justiça Federal de MT na qual é réu em razão de ter adquirido a fabulosa jazida a preço justo e equivalente a ‘bananinha de bolicho’ por meio de manobra judicial orquestrada por ex-juiz trabalhista no TRT-23; às vésperas do governador ser eleito MPF desistiu de testemunha-chave – o geólogo Edson Suszczynski iria falar sobre o laudo via videoconferêcia ao juiz federal dia 31 de agosto de 2018, exatos 21 anos depois de ter avaliado a mina de ouro, no entorno da qual outras áreas de lavra foram “requeridas” e licenciadas a empresas e pessoas ligadas a Mauro Mendes, à primeira-dama e a empresário filho do casal  

HAROLDO ASSUNÇÃO, 

Especial para o BRASIL NOTÍCIA  

Aos nove dias de setembro do ano de 1999 o tabelião José Leandro Ferreira registrou no Cartório do 18º Ofício de Notas do Rio de Janeiro (RJ) a autenticidade da assinatura de Edson Franco Suszczynski no “Estudo de Pré-viabilidade Técnica/Econômica & Financeira” referente a laudo de valoração econômica da jazida denominada ‘Casa de Pedra’ explorada à época pela Minérios Salomão - em 2011 rebatizada ‘Maney Mineração’ quando o governador Mauro Mendes e seu sócio Valdiney Mauro de Souza assumiram - por 'irrisórios’ R$ 2,8 milhões - o controle da empresa via manobra judicial orquestrada pelo então juiz trabalhista Luís Aparecido Ferreira Torres. 

Assinado aos 31 de agosto de 1999, o laudo de avaliação da reserva aurífera foi elaborado por Suszczynsk em parceria com o engenheiro de minas José Abílio Raimundo Manso da Rocha - então responsável pela AGR Geologia e Engenharia, que fora contratada para quantificar o valor do bem mineral pelo empresário Antonio Carlos Machado Matias, dono do empreendimento naquele tempo. 

CARTORIO SURKZINS

 HAROLDO ASSUNÇÃO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ASSINATURA ABILIO

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O documento registrado no Cartório do 18º Ofício de Ipanema é complementar ao laudo de avaliação elaborado por engenheiro de minas e geólogo e referido na capa do documento técnico de valoração que no ano de 1999 estimou a reserva em aproximadamente 76 toneladas de ouro puro com custo de exploração compensador e expectativa de viabilidade econômica em função da reserva mineral projetada para dez anos ou pouco mais que isso. 

Autoridade nacional quando o assunto é mineração o Professor-Doutor Edson Franco Suszczynski em 1999 já detinha no currículo a condição de “Geólogo Economista Sênior” e assim foi exclusivamente dele a responsabilidade e assinatura no documento registrado em setembro daquele ano pelo tabelião carioca – denominado “Estudo de Pré-viabilidade Técnica/Econômica & Financeira”. 

É certamente a tal documento que o evasivo e-mail enviado ao repórter lá no comecinho de 2014 fazia referência quando sugeriu que o geólogo fosse procurado para maiores esclarecimentos. 

FOTO EMAIL ENG ABILIO

 HAROLDO ASSUNÇÃO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

FIM DE DISCUSSÃO: LAUDO É REAL, PERÍCIA FALSA 

É agora apenas o Ministério Público Federal – senão o próprio juiz do feito – requerer ao Cartório do 18º Ofício de Notas do Rio de Janeiro uma simples certidão sobre o ato lavrado aos 9/9/99 (cabalística a data!) e ponto final à fraudulenta arguição arquitetada pela defesa do governador Mauro Mendes a fim de impugnar o estudo de valoração da mineradora e assim o inocentar na ação de improbidade administrativa. 

A impugnação do laudo de avaliação elaborado em 1999 era a derradeira ‘tauba de salvação’ - ou ‘galho de saram’ como diz o cuiabano em referência à vegetação ciliar típica da região característica por projetar os galhos por vários metros para além da margem e sobre o canal do rio ao nível da lâmina d’água e fácil para a mão desesperada de quem se afoga os agarrar. 

O próprio governador Mauro Mendes deixa isso bem claro em dois pontos na tacanha ‘nota da pessoa’ que nos enviou a secretária-adjunta de Comunicação do Palácio Paiaguás - ou seria melhor ‘Castelo dos Sonhos?’ - jornalista Laice Souza Alza de Oliveira por meio de mensagem eletrônica já aqui devidamente analisada, medida e desmentida. 

NOTA MAURO

 HAROLDO ASSUNÇÃO

 

 

 

 

 

 

 

 

Reconhece que o documento é “peça-chave” na ação do MPF ao tempo que ainda se expõe ao ridículo de repetir à exaustão “o laudo é falso” e mais se apequena ao insistir em vão na mentira arquitetada com eventual suborno do perito forense Thyago Jorge Machado que forjou grosseiramente perícia grafotécnica destinada à impugnação processual do documento em benefício de Mauro Mendes.  

Isso aos 20 de novembro do ano passado, precisamente três dias depois que uma tal ‘cervejaria’ cujo dono é o tal perito teve o aval do procurador-geral do Estado e mais quatro secretários para crédito privilegiado superior a R$ 2,3 milhões via Fundo de Financiamento do Centro-Oeste (FCO), recursos do governo federal.  

No fim ainda fica a conta para o presidente Jair Bolsonaro. 

Por outra: basta olhar no espelho pra ver quem é que paga na real. 

 

CAPITAL SEXTUPLICADO 

Lá atrás em 2014 antes de possivelmente invadir a odiosa seara da má-fé processual quiçá até materializada no rol dos “Crimes Contra a Administração da Justiça” conforme preceituado no Estatuto Repressivo, a defesa do então prefeito de Cuiabá nem de longe contestava a veracidade do laudo de avaliação da jazida. 

No ano de 2013, ao curso das primeiras reportagens sobre a manobra judicial supostamente arquitetada na Justiça do Trabalho por meio da qual o governador e seu sócio Valdiney Mauro de Souza, vulgo “Ney”, assumiram o controle da Minérios Salomão – por eles rebatizada Maney Mineração Casa de Pedra -, um argumento apresentado pela advogada Fernanda Ribeiro Darold intrigou o jornalista. 

CO.POPULAR

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“Observa-se que os cinco primeiros anos seriam os mais intensos, conforme o laudo técnico, sendo que a mina suportaria extração pelo período máximo de dez anos, o qual findou em 2009, anos antes da realização da adjudicação”. 

Referência ao laudo de avaliação a constatação da advogada consta em contestação à ação anulatória movida por parte interessada na compra da mina de ouro e que teria sido prejudicada pela suposta trama entre Mendes, Ney e o então juiz trabalhista Luís Aparecido Ferreira Torres – depois “condenado” pelo Tribunal Regional do Trabalho 23a Região à aposentadoria compulsória em razão do caso. 

Mesmo nas primeiras “notas oficiais” sobre a ação de improbidade a defesa de Mendes jamais questionara a autenticidade do estudo de valoração da jazida aurífera, conforme lê-se textualmente numa delas: “os valores de R$ 700 milhões aventados na ação proposta são absolutamente fictícios, baseados em um laudo pericial de potencial de exploração mineral da referida empresa emitido em 1999, com prazo de validade de 10 anos, ou seja, vencido em 2009, quando Mauro Mendes sequer conhecia tal empresa”. 

Por isso mesmo – e desde as informações complementares enviadas pelo engenheiro de minas ao jornalista via e-mail em janeiro de 2014 - é que desde aquela época o governador Mauro Mendes é insistentemente questionado sobre a aquisição da mineradora cujas reservas já estariam exauridas conforme a estimativa de produção descrita no laudo de valoração elaborado no ano de 1999. 

Por outro lado – no domínio processual da 3a Vara Federal de Cuiabá - o juiz César Augusto Bersi há muito refutou a ideia de que o declínio de valor da jazida aurífera em razão da exploração ao longo de décadas justificasse o preço vil estimado pelo ex-juiz trabalhista a bem de Mendes e Ney.  

Lá no distante maio de 2014 - em decisão liminar na qual determinou o bloqueio de bens do ex-juiz trabalhista Luís Aparecido Ferreira Torres - Bearsi assinalou o impressionante aumento do capital social da mineradora exatamente um ano após a manobra na justiça trabalhista, quando governador e sócio assumiram de fato o controle da fabulosa mina de ouro – crescimento superior a seis vezes, de R$ 4 milhões para R$ 25 milhões. 

BEARSI 25 MILHOES

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CONTRATOS DE GAVETA 

A suspeita multiplicação do capital evidenciada pelo juiz federal talvez possa ser explicada pela ardilosa ‘operação de compra’ por meio da qual Mauro e Ney adquiriram entre maio e setembro de 2011 todas as cotas dos demais sócios da empresa ao custo total próximo de R$ 20 milhões. 

Já naquele tempo estava evidenciada a má-fé de Mendes - perdão pelo trocadilho cacofônico - em possível fraude à execução na compra das cotas penhoradas pela Justiça do Trabalho, conforme era do conhecimento dele vez que havia até oferecido lance pela mineradora em hasta pública. 

Senão as digitais é a própria assinatura do governador que aparece no primeiro dos ‘contratos de gaveta’ na condição de “interveniente garantidor” para que o sócio adquirisse por R$ 2 milhões as cotas de Antonio Carlos Machado Matias e Benedito Gonçalves Neto.  

Isso aos 11 de maio de 2011. 

Dali a exatos oito dias – aos 19 de maio – Modesto Bonfim Barroso vendeu sua parte por R$ 3,9 milhões à BMM Participações e Investimentos da qual eram donos o sócio do governador e o empresário Filadelfo dos Reis Dias – que no dia 31 daquele mês compraria parte das cotas de José Luís Dalcol Trevisan por outros R$ 2 milhões. 

No mês de agosto de 2011, às vésperas do arquitetado desfecho em benefício de Mendes e Ney na milionária causa trabalhista, eles compraram o restante das cotas então pertencentes a Trevisan, por mais R$ 13 milhões.  

No dia 15 de setembro foi chancelada a manobra e a empresa transferida pela Justiça do Trabalho à filha de Ney, Jéssica Cristina de Souza. 

Exatos três dias depois – aos 18 de setembro de 2011 – Filadelfo dos Reis Dias venderia sua participação societária por pouco mais de R$ 3 milhões à Bimetal Participações Ltda, empresa do governador Mauro Mendes. 

TESTEMUNHA-CHAVE 

Por sua condição de autor do estudo de valoração da jazida aurífera - mesmo porque o engenheiro de minas José Abílio Rocha já morreu – o geólogo Edson Franco Suszczynski naturalmente seria testemunha de fundamental importância à tese do MPF, assim como sua oitiva poderia ter encerrado de uma vez por todas a discussão sobre a autenticidade do laudo assinado aos 31 de agosto de 1999. 

Por impressionante coincidência de data o juiz César Bearsi designara para o dia 31 de agosto de 2018 a oitiva de Suszczynski por meio de videoconferência. 

DESIGN AUDIENCIA

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Exatamente quando se completavam precisos 21 anos desde a assinatura do laudo de avaliação o geólogo deveria falar ao juiz federal sobre o estudo.  

Quiçá até poderia ter explicado o porquê do uso de aspas ao profetizar que futuramente outras áreas com potencial de exploração aurífera adjacentes à mineradora poderiam ser oportunamente “requeridas”. 

Mas nada disso aconteceu – o MPF desistiu de ouvir o geólogo. 

DESISTENCIA

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PULO DO GATO: NESSE MATO TEM ‘COELHO’ 

Conforme pisado e repisado pelo repórter há mais de sete anos, o governador Mauro Mendes jamais explicou a razão da compra milionária da jazida cuja reserva aurífera possivelmente estaria esgotada de acordo com o laudo de valoração elaborado em 1999 – no qual a ‘vida útil’ da mina estava prevista para dez anos ou pouco mais que isso. 

No documento que registrou em cartório o geólogo Edson Franco Suszczynski traçara o caminho das pedras – ou, por outra, do ouro. 

“A área da mina está situada em um núcleo central, pertencendo a um grande e bem conhecido ‘distrito aurífero’, Bacia Cuiabá (denominado Baixada Cuiabana) que tem mais de 1,4 mil quilômetros quadrados de extensão; exibindo várias outras zonas mineralizadas de ouro e minas extrativas em volta dela: isto sifnifica que outras minas de ouro e reservas auríferas podem ser ‘requeridas’ pelos investidores”, escreveu Suszczynski. 

REQUERIDAS

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E assim foi feito. 

Nos anos seguintes à aquisição da mineradora empresas e pessoas ligadas ao governador Mauro Mendes e seu sócio Ney conseguiram no Departamento Nacional de Produção Mineral e Agência Nacional de Mineração diversos alvarás de licenciamento para a exploração de vasta área no entorno da jazida original que havia sido mensurada no laudo de 1999. 

É o caso das empresas Kin Mineração Ltda – na qual tem participação societária o filho de Mauro Mendes, empresário Luís Antonio Taveira Mendes -, e Mineração Aricá Ltda – propriedade da Maney Mineração Casa de Pedra e do próprio sócio do governador. 

CESSAO KIM MIN

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Também aparece um ‘sócio oculto’ de Mauro Mendes e Ney. 

No quadro de proprietários da Kin Mineração Ltda e da Maney Mineração Casa de Pedra salta o nome de um tal Euler Oliveira Coelho – concidentemente sócio numa tal Minerbrás Mineração Ltda de ninguém menos que a esposa do governador, ainda primeira-dama de Mato Grosso Virgínia Raquel Taveira e Silva Mendes Ferreira. 

EULLER

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Euler Coelho possui inúmeros alvarás de lavra na área do entorno. 

Literalmente: nesse mato tem Coelho, ah... se tem! 

Mas isso são outros quinhentos. 

Outros quinhentos milhões, por supuesto... 

Voltaremos à carga... 

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