Segunda-feira, 18 de Janeiro de 2021

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Sábado, 28 de Novembro de 2020, 10h:22

A propósito de produtos capilares

Mauro Mendes é o grande perdedor da eleição em Cuiabá

Redação

Divulgação

HAROLDO ASSUNÇÃO

Roberto França não precisava trocar o pijama por terno e bravata, digo, gravata.

E o pior, prestar-se a tal vexame público ao amargar um tímido quarto lugar no primeiro turno das eleições para prefeito de Cuiabá.

Bem feito.

Ensina a sabedoria “dos povos” de antanho que macaco velhaco não mete mão em cumbuca – referência à antiga armadilha de caça em forma de vaso com pequena abertura com saborosa isca na qual o animal ficava preso ao enfiar o braço.

A miragem de voltar nos braços do povo cuiabano ao Palácio Alencastro, engenhosamente insuflada no gordo por raposas mais hábeis – incluídos aí os irmãos Campos e o governador de plantão à frente. França caiu na lábia, botou a cara a tapas e levou uma surra de criar bicho – que o cuiabano, diferente do candidato, não caiu no conto.

Mas quem apanhou mesmo foi Mauro Mendes, o grande fiador da malfadada candidatura. Em horário eleitoral, prometeu parceria para asfaltar Cuiabá e mais mundos e fundos que faltaram à cidade por conta da rixa dele com o prefeito. À parte as recorrentes futricas dignas de folhetim protagonizado por esquetes de vizinhança invejosa e maledicente do outro palácio, talvez inadequadas para a figura de chefe de governo, o cacique do Paiaguás entrou de corpo e alma na danada campanha.

“Garantiu” que seu candidato era honesto, experiente e trabalhador – até lembra aquela anedota do funeral de um político corrupto em cuja lápide era descrito como um cara digno e altruísta.

Já enterram três na mesma cova? - perguntou o desavisado.

No caso, foram quatro – Mauro, Jayme & Júlio, além do próprio França. O prefeito “botou tudo no saco” - quiçá teria dito o saudoso Seo Fiote se vivo ainda fosse -, ao tempo em que foi surpreendido pelo vereador performático ao qual referiu-se o governador ao advertir na propaganda eleitoral do primeiro turno que “Cuiabá não pode correr o risco de uma aventura”.

Feito no dizer de antigamente, nem deu tempo de esfriar o defunto e Mauro Mendes logo foi o primeiro a embarcar na canoa do tal aventureiro após o naufrágio de França no primeiro turno das eleições para prefeito da capital.

Abro um parêntesis para esclarecer que de pessoal nada há de nossa parte em relação a qualquer deles – embora o ex-prefeito assim como o atual governador tenham figurado no polo oposto em processos judiciais e trincheiras de investigação jornalística.

Na lida de repórter, escrevemos sobre reveladores interesses empresariais de Mendes nos escaninhos do Tribunal Regional do Trabalho em Mato Grosso, que renderam múltiplas e inacabáveis ações em retaliação. Sem ressentimentos ainda assim votei nele para prefeito da capital e depois governador de Mato Grosso – era o menos pior disponível no cardápio, em ambas as ocasiões.

Também na redação descobrimos porque tantos chamam França de compadre: quando prefeito apadrinhou pra mais de mil apaniguados na educação, em cumplicidade com o então secretário Edivá Pereira Alves – outro velho conhecido nosso, mas isso é outra história. Pela famigerada “farra das contratações”, ambos foram condenados em ação popular movida por este humilde escriba. Quanto ao aventureiro e o vice não sei que lá Wellaton – achava que era produto pra cabelo - são quase desconhecidos nossos, salvo a performance midiática de ambos na dita “Casa dos Horrores”.

Ambos legisladores quase nulos, corremos o risco de apostar também são ilustres estranhos, afora a propaganda, até para grande parte dos que votaram neles em primeiro turno. Em contrapeso à brilhosa calvície do outro, o bom moço de madeixas bem cuidadas também parece ter outra coisa na cabeça além de células nervosas – e bota nervosas nisso... A julgar pelo desserviço à Casa de Leis quando ajuizou ação na qual pretendia a suspensão de suplementação orçamentária ao Poder Legislativo, por conta da birra com o prefeito, que resultou na demissão de quase quinhentos pais de família, além da quase paralização da Câmara Municipal.

Na mesma toada e sabe-se lá o quê na cabeça, o cabeça de chapa já falou em demitir milhares de servidores da prefeitura. Este ganhou fôlego eleitoral nas aparições cinematográficas em redes sociais e noticiários televisivos, em cenas marcadas pela doentia obsessão de araponga frustrado a bisbilhotar a residência do alcaide e invadir ambientes hospitalares restritos, dentre outras estripulias – sorte talvez que a unidade não tivesse ala psiquiátrica, que parece mesmo coisa de transtorno mental.

A par disso, a cassação de seu mandato pelos pares, que o vitimizou no cenário político, seguida pela posterior devolução pelo Poder Judiciário ao status quo ante, sentença que fez dele uma espécie de herói quixotesco às avessas, foram as definitivas cenas que o projetaram ao segundo turno das eleições para prefeito.

Entre apadrinhamento no gabinete do irmão e as controvérsias na igreja, além da empresa ocultada, sabe-se lá porquê da Justiça Eleitoral, causos recentemente revelados pela ‘valorosa’, a cara de santo se desfaz feito fumaça do pau oco. Fechado o parêntesis, voltemos ao fio da merda, digo, meada. Flagrado com a mão no pacote pela arapongagem do ex-governador Silval Barbosa, o prefeito Emanuel Pinheiro certamente errou ao tratar o assunto tardia e melindrosamente com a tímida versão da dívida que aquele tinha com seu irmão à época em que era deputado estadual.

Todavia, não foi ainda julgado e de tal forma muito menos condenado e feito todo cidadão brasileiro no banco dos réus, merece por enquanto o beneplácito da dúvida e a presunção da inocência, segundo manda a Constituição da República. E é fato que sua gestão resultou positivamente sob aspectos importantes tais urbanização, transporte coletivo, saúde e educação. Mesmo sob as pesadas represálias do Paiaguás, foi na medida do possível bom gestor para Cuiabá.

Afinal, muitos que ora se alinham nas fileiras do vereador e atiram impiedosamente as pedras são os mesmos que outrora queriam o ex-presidente Lula solto da prisão e candidato a chefiar novamente o Brasil e a quadrilha que o saqueou por anos a fio. Mas o paletó deles é diferente. Tudo isso lembra a anedota do político empolgado durante um comício ao tocar os bolsos e ‘a garantir’ que ali nunca havia entrado dinheiro público, ao que uma voz desconhecida da multidão rebateu:

“Terno novo, candidato!” De outro lado, a candidatura – ou seria cândida aventura? - do vereador traz à memória o fenômeno eleitoral encarnado no Palhaço Tiririca quando perguntava à plebe o que faz um deputado federal, para depois responder: “Quando chegar lá, eu te falo”. Lembra aquela anedota da cartomante, eleitora convicta depois de tirar no baralho de tarô a carta “O Louco”? Pois parece bem o caso.

Entre mortos e feridos, também perdeu a advogada Gisela Simona, que após honroso terceiro lugar nas urnas do primeiro turno recolheu-se à condição condescendente depois de ouvir do aventureiro a grosseria discriminatória de resto bem reveladora acerca do próprio caráter – ou falta de – na pessoa do agressor que a ela se referiu durante o primeiro turno, nas próprias palavras, ao vivo e em primeira pessoa e “apesar de ser mulher”.  

No segundo turno ficou feito aquela velha, conhecida e infeliz história da vítima que apanha e depois retira a queixa do agressor. Pra ela, meio que ficou feio, é justo registrar. “Pare esse casamento”, haveria de cantar a saudosa Wanderléa... Falar nela, grosseria aliás parece traço de personalidade do aventureiro, senão estratégia de marketing. Não bastasse a discriminação de gênero, mais recentemente mostrou o que pensa da própria mídia que o criou ao acusar de parcialidade ao Grupo Gazeta de Comunicação e seus profissionais, à exceção - evidente mais do mesmo - o ex-senador Antero Paes de Barros, aquele que noutras eras ganhou fama pelo célebre “comitê da maldade”, assim como pelo à época rumoroso – alguém aí na valorosa ainda se lembra? - “causo secomgate”, ora marqueteiro plantonista da cândida aventura.

Adepto do vale tudo e ‘geneticamente honesto’, diz que dá de graça, a propaganda que abunda de ideias para destruir o adversário nas eleições, quiçá de olho na Secretaria de Comunicação da capital, é lícito supor dado o prontuário do elemento. A emissora, é bem justo registrar, foi a única rede local de televisão que abriu espaço em sua grade para debates entre os candidatos à prefeitura de Cuiabá, visibilidade que o beneficiou ao transmitir ao vivo o samba de uma nota só – no caso, o samba do paletó. Em pior situação entre agonizantes e moribundos ficou Mauro Mendes.

O eleitorado cuiabano ouviu suas promessas no programa eleitoral, assim como ressente-se da retaliação ao alcaide que recaiu sobre a cidade e nos últimos quatro anos viu o trabalho realizado pelo desafeto dele à frente do Palácio Alencastro – que ofuscou de longe o ‘portfólio’ do próprio quando prefeito da capital. A resposta das urnas no primeiro turno forçou o excelentíssimo multimídias a engolir o aventureiro com casca grossa e tudo, goela abaixo e a seco até o talo, por óbvias razões de sobrevivência.

No melhor cenário para o prefeito, a reeleição na capital pode ser o caminho para o Palácio Paiaguás daqui a dois anos, uma ameaça real e bem visível para os planos do governador, que não pretende levantar a bunda da cadeira até 2026.

Garimpo triste pensar assim, mas em pior cenário se a casa cair lá na frente, o camburão-vip encostar e o prefeito sambar, assume o vice – José Roberto Stopa é servidor público de carreira da Prefeitura de Cuiabá e traz no currículo efetivo trabalho prestado à capital de Mato Grosso na condição de gestor, quando titular da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos. Até mesmo em razão do zero dois, portanto, o prefeito merece uma chance.

Que o outro é bem o que o governador definiu. Não passa de um aventureiro midiático.

Feito o vice dele. Falar em produto capilar, lembram do Denorex?

Pois é. Parece... Mas não é. Seguro morreu de velho e o desconfiado tá vivo.

Glorioso São Benedito que proteja nossa amada Cuiabá!   Haroldo Assunção é jornalista e vota na capital de Mato Grosso            

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